A Crise Econômica e o Recôncavo Baiano – Alternativas para dar a volta por cima

Muito já foi escrito sobre a crise econômica e política na qual o nosso país passa. Por outro lado, vemos poucos textos falando de alternativas e soluções, principalmente em nosso contexto do Recôncavo Baiano. Isso talvez ocorra pela escassez de alternativas de curto prazo que gerem uma mudança radical da situação das empresas, de um modo geral, já que as fórmulas mágicas não existem (ainda que muita gente insista vendê-las).

Em todo o país o setor de comércio e serviços foram os que mais sofreram ao longo do ano de 2016, com queda de 6,2%, segundo o IBGE, recorde da série histórica criada em 2001. Soma-se à essa situação ao crescente desemprego, com mais de 24 milhões de pessoas (12% da população economicamente ativa) fora do mercado em dezembro/2016(IBGE), com crescimento de 31% em relação ao final do ano anterior. No caso do recôncavo esse problema se agrava já que essa economia se baseia, sobretudo, no varejo e na prestação de serviços, tendo uma produção industrial pouco significante, gerando ainda poucos empregos e desenvolvimento econômico.

Sabemos ainda que as faixas salariais nas empresas de varejo são muito baixas, regidas pelo piso do salário mínimo, o que tem em contrapartida um nível técnico da mão de obra impensável para um país que pretende se tornar uma economia sólida. A esse caldeirão de problemas que agravam a crise vemos diariamente o pouco profissionalismo de uma parte significante dos gestores dos negócios, com práticas ainda do século passado, na qual a produtividade é muito baixa e o emprego de tecnologia é muito pouco significativo, restrito, muitas vezes, a softwares de gerenciamento do estoques e vendas sequer implantados de fato nas empresas.

Seguem algumas alternativas que podem [1]ser úteis ao empresários e empreendedores para começar a virar o jogo. Nesse texto não tenho como propor a solução mágica para a saída da crise (até porque como já falei, não acredito nisso), muito menos entendo que a virada do jogo não será tão veloz como foi a queda. No entanto, tenho a convicção que uma caminhada firme em direção à saída deve ser iniciada o quanto antes de modo persistente. Vamos aos pontos:

1. Invista em tecnologia

o uso intensivo de tecnologia é um dos principais fatores que tem dado aos trabalhadores americanos uma produtividade 10 vezes maior que a nossa do nordeste brasileiro [2]. Há, na atualidade, sistemas construídos pelas startups [3] brasileiras bem acessíveis com mensalidades a partir de 50 reais para gerenciar projetos, finanças, vendas e estoques. Muitas vezes, esses sistemas substituem planilhas, mão de obra desnecessária e gera maior seguranças nas informações. Além dos softwares outras tecnologias devem ser usadas como formas de acessar os clientes, de produzir, de vendas dentre outra maneira de fazer as coisas. O mais relevante ao meu ver está na capacidade de buscar novas formas de fazer as coisas de modo mais barato e de melhor qualidade, o que nos impõe, empresários, disciplina na busca de melhorias e inovação.

2. Cerque-se de gente competente

O Steve Jobs[4] tinha uma política na qual ele afirma “contrate os gênios e demita os idiotas”. A despeito dessa frase forte e, para muitos, desrespeitosa, há uma lição na qual deveremos ter a coragem e disposição para termos uma equipe de pessoas competentes e dispostas a crescer. Ouço diariamente a busca de empresários por profissionais experientes e preparados. Diante disso, entendo que o melhor caminho, na maioria das vezes, é formar pessoas que se demonstrem competentes na capacidade e vontade de aprender o novo já que aprender a fechar um caixa ou fazer uma venda de uma camisa social são coisas que se aprendem com algum esforço e repetição. No entanto, o desafio reside em saber aprender constantemente e estar disposto às mudanças. Em meu entender é essa a competência essencial para profissionais que devem ser disputados pelos empresários. Recomendo buscar estagiários, alunos das faculdades da região, ou alunos recém-formados a partir das informações das coordenações dos cursos, além da contratação de serviços especializados para a contratação de profissionais em nível de liderança.

3. Crie rotinas que aumentem a produtividade

Considerando que parte significativa dos empreendedores, via de regra, não são afeitos às rotinas, sugiro que, ao contratar pessoas, busquem profissionais que sejam capazes de construir e seguir rotinas bem estabelecidas. Essas rotinas devem estimular o aumento de produtividade e aumento da segurança das informações para permitir aos proprietários e gestores a tomar decisões de modo mais seguro, baseado em fatos. Além do mais, os procedimentos criados para as rotinas direcionam as pessoas a fazer o que deve ser feito e não o que eles querem. Com isso, se cria um padrão a ser seguido e direciona uma mudança cultural para o ganho de produtividade. É valido destacar que, para a efetiva implantação dos procedimentos, a utilização da tecnologia é a base mais relevante, somando-se à necessidade de gente preparada.

4. Revise o seu negócio sem perder a identidade

Com o contexto de transformação da economia, muitos dos modelos de negócios se demonstram exauridos. Os principais sintomas dessa afirmação são a redução das margens do negócio, aumento da concorrência e, principalmente, o aparecimento de produtos ou serviços substitutos. Assim, nós empresários necessitamos atentar diariamente para transformações em nossos negócios e possibilitar movimentos que os mantenha saudáveis. Recomendo um bom planejamento e avaliação constante junto com a equipe sobre quais os novos problemas e desafios dos clientes para que possam ser resolvidos. Desse modo, imagino que podemos ter a “antena” ligada para os novos desafios do mercado e atentos na busca das soluções para o nosso próprio negócio. No entanto, destaco que manter a identidade do negócio é essencial para que não gere em seus clientes uma sensação de busca de ganhar a qualquer custo em qualquer negócio. Isso mantem a credibilidade da empresa apesar das mudanças implantadas.

5. Prepare-se como empresário

Finalmente, essa sugestão é a de maior relevância em minha opinião. Entendo que, como as empresas são a “cara de seu dono”, os demais tópicos estão relacionados diretamente à preparação do empresário para lidar com elas. A preparação não passa apenas pela qualificação educacional, mas pela técnica e comportamental, nas quais os profissionais aprendem ferramentas e procedimentos que facilitam o trabalho em sua empresa, mas também desenvolvem a atitude adequada para implantar as inovações adquiridas. Nesse contexto, o trabalho junto ao coaches experientes e bem formados, mentores bem preparados, boas escolas de treinamentos, cursos online e participação de associações e entidades que promovem a troca de experiência e conhecimento entre os empresários.

Enfim, entendo que esses 5 pontos favorecem a melhoria das empresas e aumente a capacidade de lidar com a crise. É obvio que medidas emergenciais que aumentem as receitas e reduzam as despesas são desejáveis e podem trazer resultados no curtíssimo prazo, no entanto tendem a ser soluções “vôo de galinha” com resultados muito curtos e que geram resultados cada vez menores e menos satisfatórios. Portanto, hajam no curto prazo priorizando transformações estruturantes em sua empresa!

Master Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching .Mestre em Administração(UFBA). Especialista em Gestão Empresarial (UEFS).Graduado em Administração de Empresas (UFBA). Leciona na graduação e pós-graduação desde 2001, além de dar treinamentos e palestras. Sócio-Diretor da SRD Soluções em Gestão Organizacional

[1] O “podem” aqui destaca que não há uma saída única e quem sirva a todos os negócios, já que os mesmos estão em momentos distintos do seu ciclo de vida e maturidade empresarial. [2] Revista EXAME (http://exame.abril.com.br/revista-exame/depois-da-euforia-a-realidade/). [3] Segundo a revista EXAME PME, startups são empresas criadas através de ideias diferentes, com forte potencial de crescimento. (http://exame.abril.com.br/pme/o-que-e-uma-startup/). [4] Fundador da Apple, conhecido pelo seu gênio forte, mas uma incrível capacidade inovadora e transformadora.

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